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	<title>higiene íntima Archives - My Pediatria</title>
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		<title>A higiene íntima das crianças</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Apr 2019 09:03:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antes de falarmos sobre a higiene da região vaginal e anal das crianças é importante recordarmos a anatomia das raparigas e dos rapazes. Sendo diferente, compreendemos melhor que os cuidados de higiene têm particularidades também elas distintas. Anatomia As raparigas têm três orifícios anatómicos muito próximos e sem separações, pelo menos dois deles. A uretra [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Antes de falarmos sobre a higiene da região vaginal e anal das crianças é importante recordarmos a anatomia das raparigas e dos rapazes. Sendo diferente, compreendemos melhor que os cuidados de higiene têm particularidades também elas distintas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Anatomia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As raparigas têm três orifícios anatómicos muito próximos e sem separações, pelo menos dois deles. A uretra – local por onde é emitida a urina – está dentro da região vulvar – local onde se localiza o intróito vaginal. Ambos os orifícios, a uretra mais anterior, estão protegidos pelos grandes lábios da vagina. Mais atrás, está o ânus, orifício por onde ocorre a emissão de fezes. A distância entre a uretra e o ânus vai aumentando com o crescimento da criança, mas nunca é grande na infância. Ao conjunto desta zona – vulva e ânus – chama-se períneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos rapazes existem apenas dois orifícios e bem separados. A uretra está na extremidade anterior do pénis e a bolsa escrotal – local onde se localizam os testículos – funciona como um separador do ânus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Importa também recordar que a urina é estéril, mas as fezes não. Ou seja, as fezes contêm milhares de bactérias potencialmente patogénicas, a par de bactérias inocentes. Assim sendo, a maioria das infecções urinárias, ou do períneo, ocorrem por contaminação das fezes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo exposto, é fácil de perceber que a anatomia do períneo feminino condicione a sua higiene e que o risco de infecções, nomeadamente urinárias, seja maior no sexo feminino. Acresce que durante os primeiros anos de vida as crianças não controlam os esfíncteres, usam fraldas, pelo que o risco de infecções é superior devido à permanência das fezes no períneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, também importa recordar que a pele da zona do períneo é muito fina e sensível. Se a pele fica lesada por qualquer irritação, há maior risco de infecção da pele – dermatite, vulgo assadura.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cuidados genéricos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A muda da fralda</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na 1.ª infância, altura em que as crianças usam fralda, é fundamental que a mudança de fraldas seja frequente. As fraldas sujas de urina e/ou fezes não devem permanecer muito tempo em contacto com a pele. O calor e a humidade natural do local favorecem a irritação da pele e o risco infeccioso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, é importante recordar que os cuidadores devem lavar as mãos antes e depois da mudança da fralda. Antes, para evitar transmitir algum microrganismo à criança. Depois, para evitar que as fezes da criança contaminem o cuidador ou outra criança a cargo do mesmo cuidador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mudar a fralda, e antes de colocar nova fralda, deve-se lavar o períneo com água. Pode-se utilizar água da torneira, ligeiramente aquecida apenas por conforto. As chamadas águas termais também são uma boa opção, mas o custo é superior. Outra alternativa é o uso de um leite de limpeza, semelhante a um leite desmaquilhante, que se denomina linimento. Este método tem a vantagem de limpar e hidratar em simultâneo e é muito utilizado em França. A utilização de toalhetes deve ser reservada para quando a criança está fora de casa. Regra geral, a maioria dos toalhetes secam a pele, embora actualmente existam toalhetes mais hidratantes e que integram na sua composição melhor tecido e óleos naturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É fundamental saber que a limpeza da zona da fralda deve ser sempre executada de frente para trás pelas características anatómicas referidas em cima. Especificamente na rapariga, é importantíssimo limpar a zona de frente para trás, da uretra para o ânus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nestas idades, é comum a inflamação da pele e a infecção por fungos, denominadas respectivamente dermite do períneo – assadura &#8211; e micose do períneo. Como se referiu, o calor e humidade local propiciam a inflamação. Por outro lado, uma situação de diarreia também facilita a inflamação e a infecção. A prevenção da assadura faz-se apenas por meio de uma boa higiene e pela aplicação esporádica de creme com óxido de zinco. O tratamento da assadura faz-se colocando 3 a 4 vezes dia creme rico em óxido de zinco. Quanto à micose, o tratamento requer aconselhamento médico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Depois do dresfralde diurno</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nas raparigas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Continua a ser essencial limpar a zona do períneo de frente para trás pelas razões já referidas. Mas agora basta um papel higiénico seco. Não se deve lavar a criança quando urina, mas apenas quando evacua.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cuidador deve começar a ensinar a criança a cuidar da sua higiene. Claro que pelos três-quatro anos, a criança não perde tempo com detalhes porque a brincadeira é mais apelativa. Por esta idade, é frequente as cuecas ficarem molhadas porque a criança não chegou a tempo à casa de banho. Esta humidade na pele é factor de risco para a maceração e inflamação local. Nestas idades são muito frequentes os episódios de vulvovaginites, ou seja, inflamação da zona da vulva e vagina, do períneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na higiene após a dejecção de fezes é importante lavar a criança, mais uma vez apenas com água. Mas nas escolas isto nem sempre é possível, pelo que é frequente as crianças ficarem com pequenos restos de fezes que vão inflamar a zona em redor do ânus. A comichão perinal é um sintoma frequente nestas idades e, contrariamente ao que os pais e educadores pensam, não se deve a parasitas na esmagadora maioria das vezes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nos rapazes</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A limpeza após a micção é mais simples, mas deve-se secar com papel a ponta do pénis, ou sacudir o pénis consoante a idade, por forma a não ficarem restos de urina nas cuecas. A humidade também macera a pele dos rapazes podendo ocasionar balanite – inflamação da pele da ponta do pénis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que respeita a higiene após a emissão de fezes, ela é semelhante nos rapazes e nas raparigas, pelo que procedimento descrito acima é adequado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Praia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na época de praia, tanto em raparigas como em rapazes, é importante ter mais cuidados com a zona do períneo devido à areia e humidade. Estes dois elementos são causadores de atrito e inflamação, pelo que aconselhado levar para a praia uma muda de fato de banho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fraldas durante o período noturno</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas crianças retiram a fralda de dia, mas não de noite. É normal a criança manter fralda de noite até perto dos cinco, ou mesmo seis anos, em particular os rapazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sono das crianças é muito pesado, pelo que a criança não desperta para urinar. Deve-se tranquilizar a própria criança e os pais. Habitualmente, as raparigas controlam os esfíncteres, tanto de dia como de noite, mais cedo que os rapazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autonomia na higiene</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É desejável ir ensinando a criança a ser autónoma na sua higiene. Faz parte do crescimento saudável. Mas claro que não se pode exigir uma higiene tão apurada como se fosse feita por um adulto. Aliás, é comum o adulto cuidador encontrar restos de papel higiénico no períneo. Mas por volta dos quatro a seis anos a criança já deve tomar conta de si, no que a sua higiene diz respeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pais e cuidadores devem ir relembrando os princípios básicos adequados e descritos atrás e elogiar sempre que for oportuno. Em qualquer processo de aprendizagem, o elogio é uma forma de motivação. Um pormenor pouco conhecido dos pais é a importância de as crianças dormirem sem cuecas à noite, em particular as raparigas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como já se referiu, o períneo está muitas vezes húmido e as roupas justas e com fibra dificultam a respiração normal da pele.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Higiene durante a pré-adolescência e adolescência</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A adolescência é naturalmente um período de rebeldia contra regras e rotinas. Todavia, é importante manter hábitos de higiene diários, em especial nas raparigas, mais uma vez devido à anatomia específica, mas também pelas alterações hormonais próprias da puberdade. Nesta idade é comum o chamado corrimento, que vai causar desconforto, mas sobretudo maior humidade na roupa interior e risco infecioso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deve-se insistir na necessidade de a rapariga limpar a zona da uretra – apenas a parte anterior do períneo &#8211; com papel higiénico após cada micção, mas também aconselhar banho diário e dormida sem roupa interior, obviamente com excepção do período menstrual. Durante a fase do período menstrual, acresce a necessidade de mudança frequente do penso higiénico. Quando há inflamação a higiene diária deve ser realizada com gel adequado à higiene íntima. São produtos de lavagem com ph mais ácido que contrariam o crescimento de bactérias e respectivo risco infeccioso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Salvaguardando as modas, não é bom vestir roupa demasiado justa e com fibra sintética. O tecido da roupa interior deve ser preferencialmente de algodão ou fibra natural.</p>
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