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	<title>terapia génica Archives - My Pediatria</title>
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		<title>Aplicação prática da terapia génica: do laboratório para a clínica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Sep 2021 09:24:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>As primeiras terapias génicas, que incluíram vírus como “transportadores” de informação genética, começaram a ser testadas e desenvolvidas em 1990. Esta estratégia de tratamento, já aplicada na prática clínica, está a ser investigada como abordagem terapêutica nos casos de neuropatias musculares, em patologias genéticas raras, na hemofilia e como opção de tratamento de doenças hematológicas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>As primeiras terapias génicas, que incluíram vírus como “transportadores” de informação genética, começaram a ser testadas e desenvolvidas em 1990. Esta estratégia de tratamento, já aplicada na prática clínica, está a ser investigada como abordagem terapêutica nos casos de neuropatias musculares, em patologias genéticas raras, na hemofilia e como opção de tratamento de doenças hematológicas e hemato-oncológicas. A Prof.ª Doutora Carmo Fonseca, investigadora e presidente do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, em Lisboa, acredita que “o futuro revelará resultados promissores, com a terapia génica, para o tratamento de uma multiplicidade de doenças genéticas”.</p>
<p><span id="more-212960"></span></p>
<p>“As primeiras terapias génicas foram testadas em 1990 e já nesta altura pensou-se que os vírus seriam bons vetores ou transportadores de informação genética.&nbsp;Os vírus adenoassociados (AAV) são os vetores com menor risco de toxicidade e são os transportadores usados na terapia génica aprovada para a atrofia muscular espinal (SMA, sigla em inglês). Dado que atualmente temos uma prova de princípio de que os AAV são relativamente seguros na condução da informação genética, o futuro demonstrará resultados promissores, com a terapia génica, para o tratamento de uma multiplicidade de doenças.” A explicação é avançada pela Prof.ª Doutora Carmo Fonseca, investigadora e presidente do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (IMM), que está a organizar o primeiro curso, em Portugal, sobre terapias génicas, destinado a neuropediatras.</p>
<p>No rescaldo de uma sessão, em que participou no dia 13 de maio, por ocasião do 15.º Congresso da Sociedade Portuguesa de Neuropediatria, a Prof.ª Doutora Carmo Fonseca reforçou a mensagem que “a atrofia muscular espinal é o ‘alvo perfeito’ para a terapêutica de substituição génica”. Conforme explicou a investigadora, “as terapias génicas de substituição só funcionam como estratégia de tratamento de doenças com perda de função de um gene mutado”, como acontece com a SMA: uma doença genética recessiva, associada a uma perda de função do gene SMN1.</p>
<p>“Os genes SMN1 e SMN2, localizados no cromossoma 5, encontram-se numa região propensa a variações genéticas. Num indivíduo com uma sequência normal do gene SMN1, é produzida a proteína SMN funcional. Num indivíduo ‘normal’ há, pelo menos, uma cópia do gene SMN2, ainda que, devido a ligeiras mutações que ocorrem neste gene, haja uma interferência no processo de splicing. Por conseguinte, a maioria das proteínas produzidas pelo gene SMN2 são não-funcionais. Nos casos de SMA, há uma perda do gene SMN1, pelo que as únicas proteínas SMN são produzidas pelo gene SMN2.”</p>
<p>Segundo explicou a Prof.ª Doutora Carmo Fonseca, as terapias génicas recorrem a “vetores virais”, que funcionam como “transportadores da informação genética e da sequência de ADN correta para o interior da célula”. “Até ao momento, e tendo em conta os vetores virais já avaliados, os melhores resultados foram obtidos com os vírus adenoassociados (AAV), que têm menor potencial imunogénico. Através de engenharia genética, o genoma original do vírus é totalmente substituído e é introduzida uma sequência terapêutica em vírus modificados”, clarificou a investigadora, assinalando que, no caso do tratamento da SMA, “os epissomas das terapêuticas génicas, em princípio, mantêm-se nas células ao longo de toda a vida, implicando, por isso, uma única administração”. Não obstante, “na vida real, devem ser monitorizados os níveis de proteína expressa e a eficácia da terapêutica génica a longo prazo”.</p>
<p>A terapia génica é um termo que engloba “múltiplas estratégias”, que objetivam “curar doenças causadas por erros genéticos”. A investigadora referiu, ainda, que há uma “outra linha de intervenção que consiste na alteração das características genéticas das células do sistema imunológico (linfócitos), no sentido de os treinar a reconhecer as células tumorais”. A terapia génica ou genética inclui, de acordo com a explicação da Prof.ª Doutora Carmo Fonseca, várias abordagens, uma das quais é a terapia de substituição génica, que permite substituir um gene mutado e que está “limitada ao tratamento de doenças causadas por perda de função de um gene, geralmente doenças de hereditariedade recessiva.”</p>
<p>“A terapia génica, que ao longo dos últimos 30 anos tem sido alvo de investigação, é atualmente apontada como uma opção de tratamento para doenças hematológicas ou hemato-oncológicas e neurológicas. As estratégias aplicadas podem ser <em>in vivo</em> (o vetor viral é injetado conjuntamente com o gene terapêutico) ou ex-vivo (são removidas as células progenitoras da medula óssea, são modificadas em laboratório e posteriormente reinfundidas no doente), como é o caso das células T CAR”, resumiu a Prof.ª Doutora Carmo Fonseca.</p>
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